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Vantagens na utilização do cloro gás para a desinfecção e tratamento de água

A desinfecção é um processo em que se usa um agente químico ou não químico com o objetivo de inativar microrganismos patogênicos presentes na água, e geralmente é a etapa final do tratamento de água. Comumente no Brasil, as Estações de Tratamento de Água (ETA’s) se utilizam do cloro gás na desinfecção.

O processo de desinfecção da água é um método utilizado há muitos anos. Estudos mostram que em 500 a.C. já era realizado este tipo de tratamento, onde a fervura era utilizada para eliminação de organismos indesejáveis na água. A etapa de desinfecção visa à eliminação ou inativação dos organismos patogênicos, que podem estar presentes na água. A fervura é vista como um método eficiente, no entanto não é exequível para tratamento de grandes volumes de água. Para atender esta demanda a cloração, ou seja, a adição de cloro é a alternativa mais utilizada.

Os primeiros indícios de desinfecção de água pela utilização de cloro foram registrados em 1896 na Base Naval Austro-Húngara de Pola, no mar Adriático. Atualmente, cerca de 90% das estações de tratamento de água (ETA’s) utilizam cloro. O cloro é considerado um desinfetante bastante eficaz e possui ação oxidante comprovada, por esta razão ele também é utilizado na remoção de ácido sulfídrico (H2S), oxidação de manganês e ferro, sabor, cor, odor, etc.

O cloro é eficiente no processo de desinfecção da água por se tratar de um oxidante capaz de reagir com diversas substâncias, sejam elas orgânicas ou inorgânicas. O ácido hipocloroso (HClO) é o composto mais utilizado, e a sua dissociação está atrelada ao pH da água. As águas para abastecimento público apresentam, geralmente, valores de pH entre 5 e 10. Nesta faixa, a forma predominante do cloro é o ácido hipocloroso, definido como cloro residual livre (CRL), e o íon hipoclorito. A presença do CRL é importante, pois garante a qualidade bacteriológica da água em todas as etapas seguintes do abastecimento da rede de distribuição.

Baixo custo e fácil manuseio. Essas duas vantagens fazem do cloro gás um dos produtos mais utilizados para a desinfecção da água para consumo humano. Quando a água não recebeu nenhum tipo de poluição, é possível ter a cloração como único processo. No entanto, nos casos em que a água é considerada de qualidade inferior, apenas a adição de cloro ativo na forma de gás cloro ou hipoclorito de sódio, não é suficiente para responder aos parâmetros mínimos para ser ingerida ou utilizada em processos higiênicos. Nestes casos, a adição de cloro é considerada um aditivo devido à sua ação oxidante em compostos orgânicos e inorgânicos.

Além de ser um importante desinfetante universal, a ação oxidante seletiva do cloro é extremamente importante no processo das ETA’s. Como é solúvel em água, o cloro é capaz de penetrar nas membranas celulares, remover biofilmes e inativar microrganismos, por isso a cloração da água nas estações de tratamento responde a uma importante etapa do processo de potabilidade e abastecimento determinado pela legislação brasileira.

A água que não é totalmente livre de poluição carrega matéria orgânica, que quando entra em contato com o cloro favorece a formação de THMs, ou trihalometanos, alguns dos quais têm sido identificados como cancerígenos pelos órgãos de saúde responsáveis. No entanto, esta situação pode ser controlada desde que haja a remoção da matéria orgânica antes que o cloro entre em contato com a água, procedimento que é realizado durante as etapas de coagulação, floculação, decantação e filtração nos tratamentos convencionais.

A dosagem ideal do cloro na etapa de desinfecção do processo de tratamento de água é regulamentada pela portaria nº 518 do Ministério da Saúde, de forma a garantir a eficiência do procedimento sem qualquer risco à saúde.

As principais vantagens do cloro gás são sua comprovada eficiência no extermínio de microrganismos patogênicos na água, o baixo custo, o fato de ser tolerado pela grande maioria da população e não oferecer riscos à saúde humana desde que utilizado dentro das normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Nunca é demais lembrar, também, que a água clorada deve ser sempre priorizada em relação à água in natura, para evitar riscos de infecções e contaminações que podem acarretar em doenças graves à saúde, como parasitas, bactérias, vírus e agentes patogênicos, que podem levar à mortalidade de adultos e crianças.

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